Por Eduardo Mariano
Falar sobre o bairro Terra Vermelha parecia ser fácil, saber um pouco da sua história, como foi seu surgimento. Mas nem todas as informações estão ascessíveis, são poucos moradores que sabem da história, mas muitos precisam conhece-la.
Terra Vermelha surgiu oficialmente no início da década de 1990, com o nome de Brunela, um loteamento feito pelo então dono das terras, o senhor Aníbal Frizera, mas descobriu-se que na verdade parte destas terras não eram legalizadas, foram apossadas e não registradas. O governo do estado então desapropriou e construiu casas populares e doou para as pessoas que estavam desabrigadas. Após esse início, o bairro passou a se chamar de Terra Vermelha por causa da cor do barro existente na região, até hoje se entende o porque.
No início era complicado, tinham que andar cerca de 3km para pegar um ônibus, não tinha iluminação pública e pegavam a água num poço próximo ao loteamento. Aqui era muita poeira e quando chovia tinha muita lama. Com o tempo foi construída a primeira escola, os comércios eram pequenos, como mercearias, bares e padarias, os moradores dependiam de outros bairros mais próximos ao centro.
Com o passar dos anos, as coisas foram se modificando, asfaltaram as ruas principais, criaram diversas linhas de ônibus, mais escolas foram construídas, fizeram um posto de saúde, o comércio se desenvolveu e muitas práticas comunitárias surgiram, mas ainda falta muita coisa, boa parte das ruas ainda são de barro, precisam de mais escolas para as crianças, e a violência assusta cada vez mais os moradores.
Para os jovens, as coisas não andam tão bem, existem poucas áreas de lazer, alguns locais realizam festas e bailes. Divertem-se mesmo quando tem shows nas ruas, ou quando vão para outros bairros, as vezes bem afastados. Há a necessidade de implantação de cursos profissionalizantes, que capacitem e dêem melhores oportunidades para os jovens, o tráfico existe e o aliciamento também. Nas imediações existe um clube aquático que é freqüentado por alguns jovens, a praia fica cerca de 4km daqui, e acaba sendo a maior diversão de todos os moradores. Mas os jovens acham que falta muito investimento do poder público, a região é bastante populosa em comparação com o pouco que foi investido.
Senti um pouco de satisfação dos moradores, acham que com o tempo as melhorias que necessitam virão, vão tocando a vida, lutando, correndo atrás. Muitos estão longe de uma vida digna, desconhecem seus direitos e sua história, mas estão firmes e conscientes que precisam se unir para a construção de um bairro melhor.
Este texto foi feito através de entrevistas com:
Maikon Soares Souza, 18 anos e há 17 mora no bairro
Luciene de Almeida Soares, 16 anos, nasceu aqui
Ana Paula Falcão, 31 anos, mora há 4 meses
João Admilson Prates, 40 anos e há 16 está aqui
Jenair Maria da Silva Joana, 52 anos e 29 morando aqui
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